quarta-feira, 28 de março de 2012

A segurança da Rio+20: o inimigo agora é outro

A segurança da Rio+20: o inimigo agora é outro 

Texto de Luís Bulcão, do Rio de Janeiro 

(Link original: VEJA

Plano do Ministério da Defesa reforça segurança da internet, aeroportos, reservatórios de água e hotéis. Ameaça, 20 anos depois da ECO-92, passou a ser o terrorismo, não mais o tráfico de drogas nas favelas 


Cenário frequente de operações policiais, com ocupação de favelas e tropas ostentando fuzis, o Rio de Janeiro se prepara para receber, em junho, um aparato de segurança pouco usual – pelo menos por enquanto. No primeiro de uma série de eventos internacionais programados para a cidade até 2012, a Rio+20 vai inaugurar no país um modelo de policiamento inédito por aqui. Se há 20 anos, na ECO-92, a preocupação era a de proteger os líderes mundiais da ameaça armada das favelas, controladas por traficantes, na conferência de agora o inimigo a ser evitado vem de fora, na forma de investidas terroristas e ataques virtuais – um perigo real, numa era em que as comunicações dependem da internet e de redes remotas. Em vez dos veículos blindados e dos militares em trajes camuflados, as ‘estrelas’ do plano concebido pelo Ministério da Defesa, que prevê “alerta máximo” durante o evento, são as equipes que vão vigiar aeroportos e pontos de abastecimento d’água, mergulhadores, atiradores de elite e baterias antiaéreas do Exército. 

A segurança da Rio+20 vai mobilizar 12.800 homens e mulheres das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), além de milhares agentes das polícias federal e militar. Uma operação "muito sensível e de alto risco", na opinião do general de Exército Adriano Pereira Junior, comandante militar do Leste. Encarregado de coordenar as 49 entidades, entre polícias, agências de inteligência e órgãos públicos envolvidos na segurança da conferência, o general do CML garante que o Brasil está preparado para responder a qualquer ameaça, inclusive ataques químicos, nucleares e biológicos. 


"Embora não tenhamos tradição nesse tipo de operação (de contraterrorismo), o treinamento é igual ao de qualquer outro exército de bom nível do mundo. As nossas forças especiais são consideradas de nível A, muito bem preparadas", afirma o general. A estimativa de gastos com a operação é de 122,3 milhões de reais. Para o general Adriano, esse é o início de um ciclo de ações que vai se estender para outros grandes eventos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. 

Para as ações de contraterrorismo, 300 militares dos destacamentos antiterror do Exército e da Marinha estarão empregados. Eles vão trabalhar em caso de atentado ou sequestro. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) está encarregada de definir os pontos e momentos de maior grau de risco. Alguns pontos, no entanto, já estão no roteiro desse grupo. Entre eles, obviamente, aeroportos e os hotéis que vão receber os chefes de estado. Nesses locais, haverá varreduras periódicas. 

A operação também prevê o uso de mergulhadores da Marinha para inspecionar até mesmo os cascos dos navios ancorados na orla. "Temos equipamentos modernos para detectar materiais eletrônicos que possam ser nocivos. Em cada ponto faremos uma varredura para identificar qualquer tipo de ameaça, seja química, biológica ou nuclear", afirma. 

Além dos especialistas militares, o Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD) e o Centro Estadual para o Gerenciamento de situação de Emergências Nucleares, que é responsável pelos planos de acidentes nucleares das Usinas de Angra, estarão em coordenação com as órgãos de segurança. De acordo com o Ministério da Defesa, serão instaladas estações para descontaminação em caso de ataque químico ou radioativo. "Estamos preparados tanto para fazer a varredura como para reagir se houver algum atentado. É claro que esperamos que nada disso aconteça e vamos trabalhar para isso", afirma o general.



durante o evento, são as equipes que vão vigiar aeroportos e pontos de abastecimento d’água, mergulhadores, atiradores de elite e baterias antiaéreas do Exército.

A segurança da Rio+20 vai mobilizar 12.800 homens e mulheres das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), além de milhares agentes das polícias federal e militar. Uma operação "muito sensível e de alto risco", na opinião do general de Exército Adriano Pereira Junior, comandante militar do Leste. Encarregado de coordenar as 49 entidades, entre polícias, agências de inteligência e órgãos públicos envolvidos na segurança da conferência, o general do CML garante que o Brasil está preparado para responder a qualquer ameaça, inclusive ataques químicos, nucleares e biológicos.


"Embora não tenhamos tradição nesse tipo de operação (de contraterrorismo), o treinamento é igual ao de qualquer outro exército de bom nível do mundo. As nossas forças especiais são consideradas de nível A, muito bem preparadas", afirma o general. A estimativa de gastos com a operação é de 122,3 milhões de reais. Para o general Adriano, esse é o início de um ciclo de ações que vai se estender para outros grandes eventos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas.


Para as ações de contraterrorismo, 300 militares dos destacamentos antiterror do Exército e da Marinha estarão empregados. Eles vão trabalhar em caso de atentado ou sequestro. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) está encarregada de definir os pontos e momentos de maior grau de risco. Alguns pontos, no entanto, já estão no roteiro desse grupo. Entre eles, obviamente, aeroportos e os hotéis que vão receber os chefes de estado. Nesses locais, haverá varreduras periódicas.


A operação também prevê o uso de mergulhadores da Marinha para inspecionar até mesmo os cascos dos navios ancorados na orla. "Temos equipamentos modernos para detectar materiais eletrônicos que possam ser nocivos. Em cada ponto faremos uma varredura para identificar qualquer tipo de ameaça, seja química, biológica ou nuclear", afirma.


Além dos especialistas militares, o Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD) e o Centro Estadual para o Gerenciamento de situação de Emergências Nucleares, que é responsável pelos planos de acidentes nucleares das Usinas de Angra, estarão em coordenação com as órgãos de segurança. De acordo com o Ministério da Defesa, serão instaladas estações para descontaminação em caso de ataque químico ou radioativo. "Estamos preparados tanto para fazer a varredura como para reagir se houver algum atentado. É claro que esperamos que nada disso aconteça e vamos trabalhar para isso", afirma o general.
Divulgação







O terminal 1 do Aeroporto Internacional do Rio Galeão - Antonio Carlos Jobim: exemplo de ineficiência

Ciberterrorismo – Outra novidade no planejamento de segurança é o combate à intervenção de hackers nos sistemas da Rio+20, pois grande parte dos documentos da conferência vai ser produzido e distribuído em meios eletrônicos. Segundo o vice-almirante Ney Zanella responsável pelo planejamento da operação, a segurança das conexões durante a conferência é fundamental até mesmo para que os deslocamentos de autoridades pela cidade não fiquem vulneráveis "Quando se trabalha com tecnologia da informação, estamos sujeitos à guerra cibernética. Uma vez que alguém consiga entrar nos sistemas, temos que neutralizar a ação. Todos os nossos centros de controle estarão em conexão para o controle da mobilidade durante a conferência, tanto para os deslocamentos por terra quanto o espaço aéreo. Esses centros não podem colapsar", afirma. 

Mesmo com toda a mobilização, Zanella explica que o plano de defesa foi concebido para influenciar o mínimo possível na rotina da população. Ao contrário do que ocorreu na Rio 92, não haverá a interdição permanente de vias principais e não haverá ocupação das ruas e favelas por parte do Exército.  


Ainda assim, o general Adriano admite o emprego de tropas e tanques em pontos específicos se os órgãos de inteligência identificarem maior grau de risco: "Se o grau de risco e ameaça indicarem a presença de um blindado, vamos empregar. Mas isso não vai ser em toda a cidade", comparou o general. De acordo com ele, as operações serão semelhantes às realizadas durante a visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em 2011, quando tanques foram posicionados no entorno do Theatro Municipal enquanto o presidente discursava.

Espaço aéreo – Para escapar do trânsito do Rio de Janeiro, os chefes de estado terão a opção de se locomover pelo ar. No Riocentro, onde a cúpula será realizada, serão instalados três helipontos. Dezesseis helicópteros serão utilizados para o transporte e segurança de autoridades. A FAB vai ficar encarregada de inspecionar as aeronaves antes de cada voo e também vai monitorar o espaço aéreo. Além disso, caças estarão de prontidão na Base Aérea de Santa Cruz e aeronaves estarão vigiando constantemente o céu do Rio.  



Ao contrário do procedimento realizado durante a ECO-92, o espaço aéreo da cidade não será fechado. No entanto, haverá maior controle das rotas comerciais e particulares. "Nenhuma aeronave vai voar sem passar por inspeção. Os executivos que têm que fazer seus voos de helicóptero poderão voar. No entanto, a atenção vai estar constante para que nenhuma aeronave desvie do plano de voo autorizado", explica Zanella.


Segundo o general Adriano, não há exigências especiais de chefes de estado para a segurança oferecida pelo Brasil. Ele explica que o procedimento segue protocolos internacionais. Os chefes de estado trazem seus seguranças pessoais, que ficam no entorno imediato à autoridade. As demais medidas para a defesa cabem ao país sede. "Os seguranças que acompanham as delegações nos questionam sobre alguns aspectos para saber se nós estamos considerando algumas ameaças que eles tenham levantado. Não há exigências. Temos nos dado muito bem nessa troca de informações", afirma.