sexta-feira, 17 de maio de 2013

KOMBATO NA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA



Há mais de um ano, recebi um "e-mail" enviado por integrantes da Presidência da República. Queriam contratar o Kombato para um curso. Não um curso comum. Mas um curso de formação de instrutores.

Nunca fui adepto desse tipo de curso, porque, honestamente, não se pode garantir que dê resultados. O sucesso desse tipo de missão depende muito da preparação anterior do aluno. Afinal, se ele não souber socar e chutar com excelência, se não souber combater em pé e no chão, se não tiver disciplina e preparo físico ou não souber ensinar, o curso é absolutamente inviável, principalmente se for ministrado em poucos dias ou semanas. A imagem do Kombato deve ser sempre profissional, nunca comercial. Esse é meu ponto de vista. Dessa forma, é a primeira vez que isso seria feito.

Inicialmente o curso seria para mais de 20 pessoas. Não achei uma boa ideia. Negociei, então, para que fossem escolhidos apenas os melhores. O número caiu para 8 alunos. Mas eu queria que esses 8 tivessem não apenas todos os elementos necessários que já citei, mas também comprometimento e vontade para realmente aprender. Isso faria toda a diferença. Os oito foram escolhidos.

Para essa missão eu buscava a elite. De outra forma seria impossível para os instruendos alcançarem o objetivo desejado e, consequentemente, não seria bom para o nome do Kombato, organização essa onde não existem instrutores de má qualidade, pois todos são muito bem selecionados, sendo esse um dos nossos diferenciais.

Ao iniciar um curso intensivo com um leigo, minha equipe de instrutores consegue fazer com que esse aluno passe para a segunda graduação após treinar 6 horas por dia, em 5 dias e meio de treinamento, ou seja, um total inicial acima de 30 horas. Certamente esse já seria um ponto garantido para se alcançar. O que faríamos então com um trabalho de mais de 80 horas e com um grupo já bem treinado e motivado? Só existia uma forma de saber – iniciando o curso. Tudo uma grande incógnita.

Se algo desse errado, tínhamos um plano “B”, que seria o grupo alcançar o máximo de graduação que fosse justo, ao receber reforçadamente cursos de defesa contra ameaça de fogo, de proteção de terceiros, ameaça de facas e imobilização tática, e nada mais. Assim, voltaríamos para casa com a missão cumprida.

Bem, pensei, as aulas serão das 08:00h às 18:00h durante todos os dias, com pausa apenas para o almoço. O objetivo, então, seria usar um dia e meio para alcançar a 1a graduação, dois ou três dias para a 2ª e o resto do tempo seria utilizado para a aplicação dos cursos citados. No final de cada graduação bem treinada, um exame.

A realidade surpreendeu. Positivamente. E de várias maneiras.

Ao chegar, vi em todos os lugares os avisos de “área reservada para o treinamento da segurança, no período do curso”.

Ainda no primeiro dia, depois de ensinar a matéria de diversas formas, e de demonstrar treinamentos especiais criados no Kombato, aplicamos um exame e a pior nota foi 98. Decidi, portanto avançar na matéria. No segundo dia, com mais matérias da nova graduação e mais cobranças, novamente a pior nota foi 98. Vale ressaltar que nossa nota máxima é 99, e nossa avaliação é absolutamente precisa, sem nenhuma subjetividade, ou parcialidade.

Meu objetivo e de minha equipe do Kombato era dar o nosso máximo. Porém nos questionávamos se a nova equipe com toda sua bagagem de conhecimento já adquirido, teria a mentalidade certa para aprender coisas novas. Esta era a grande questão que foi discutida durante o vôo da Aeronáutica que trouxe a mim e ao Professor Mattoso para esta cidade. O Kombato sempre quebra paradigmas, e nem todos estão preparados para compreender nossa filosofia avançada, sem dogmas. É ocidental, prática e extremamente realista.

Ocorre que, ao conhecer a nova equipe, não encontrei pessoas comuns, nem leigos; quem estava lá eram realmente os melhores, os mais selecionados, aqueles que demonstravam as melhores notas do Exército, da Aeronáutica, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Militar e da Polícia Civil, escolhidos entre os que haviam obtido as melhores avaliações colhidas durante anos. Por isso estavam lá. Vieram de diversas partes da nossa nação, para proteger as maiores autoridades do país, pois para essa função, são necessários e fundamentais os melhores profissionais do ramo. Além disso, todos já eram instrutores de defesa pessoal para as respectivas instituições, tendo mais experiência em campo real do que a imensa maioria de professores de toda e qualquer arte marcial que exista – pois estão sempre “em campo”, vivenciando defesa pessoal e segurança, dia após dia.

Todos, em si, encarnam por si próprios o lema do Kombato e o lema do instrutor.

Conheci um especialista da Polícia Federal que protegeu 7 presidentes diferentes. E que tem mais experiência prática do que quase todos os profissionais que conheço; e quem o conhece pessoalmente nunca vai deixar de se surpreender com sua persistência: puro Kombato.

Conheci uma Policial Rodoviária Federal que faz frente a qualquer adversário do gênero masculino, e que encarna perfeitamente o que é disciplina e persistência; chegava ao treinamento 1 hora antes para se preparar fisicamente, sendo alvo de elogio de todos os integrantes do grupo, e de todos os lugares nos quais trabalhou: puro Kombato.

Conheci um especialista do Exército Brasileiro, meu conterrâneo, coisa rara, que tem uma capacidade técnica proporcional à amizade que ele demonstrou comigo e com o Professor Mattoso em diversos, emocionantes e vibrantes momentos. O espírito de amizade fortalecido: puro Kombato.

Conheci um integrante do Exército Brasileiro, que teve criatividade e velocidade de pensamento suficiente para criar uma técnica nova no decorrer do curso, e ainda assim manteve sua humildade tendo, portanto, um evidente conhecimento em ação: puro Kombato.

Conheci um integrante da Polícia que além de altíssimo grau em diversas artes marciais, e professor há mais de 25 anos, é um exímio jogador de xadrez que, com mais de 46.000 jogos, reforça a ideia de que “segurança não é força, e sim estratégia”. Conhecimento. Puro Kombato.

Conheci um integrante que é um grande pesquisador, leitor ávido, além de cultura ímpar, também gaúcho como eu. Nunca satisfeito com o conhecimento que já tem, mantém sempre a busca de avançar. Puro conhecimento. Puro Kombato.

Conheci um integrante da Polícia Militar, que apesar de todas as suas lesões não nos frustou nenhuma vez com sua ausência, ou fraquejou diante dos treinos pesados e longos. Persistência. Puro Kombato.

E citando o último destes, o primeiro que conheci no grupo é o símbolo da Amizade, da Cidadania e da Persistência pois, apesar de todas as intempéries, obstáculos humanos, burocráticos, de tempo, inclusive os obstáculos e dificuldades que eu mesmo encontrei e enfrentei para este evento acontecer, conseguiu trazer o nome do Kombato, e elevá-lo o suficiente para alcançarmos o direito – ou o dever, de estarmos aqui. Puro Kombato.

Há ainda os dois guerreiros, que não foram instruendos, mas seu 
sem a presença deles, a missão são seria possível.

O “nono guerreiro”, que fez seu trabalho nos bastidores do teatro de operações. Este controlou toda a linha de suprimentos, transporte, documentação, registro, absolutamente sozinho. Sem isso nenhuma guerra pode ser vencida. Amizade, Disciplina, : Puro Kombato.

E o “décimo guerreiro”, nosso líder, nosso ponta, o qual devemos citar o nome, sempre, Coronel Gama, o qual sem a inicitiva dele de aperfeiçoar o grupo até sua excelência, com as suas idéias inovadoras, esta missão nunca, mas nunca teria saido do papel.

Mas o principal é que todos já tinham atitude de Kombatentes. Tinham união e espírito-de-corpo; todos tinham o objetivo comum de se tornarem melhores com o conhecimento estratégico e realista do Kombato, e portanto já estavam prontos para receber o que o que eu vim ensinar.

Nesses nove dias, conseguimos levar a turma ao nível que nenhuma outra turma de qualquer outra organização tinha alcançado no Kombato, até então, em um curto espaço de tempo como este, ainda que com uma longa carga horária. Mas isso só foi possível pelo material humano, “ouro puro”, para que fossem moldados às formas realísticas do Kombato.

O melhor de tudo é que tanto eu quanto o professor Mattoso, que ficamos aqui na maior parte do tempo, assim como o professor Douglas e o instrutor Rafael, que vieram nos auxiliar no fim de semana e nos exames finais, fomos recebidos como amigos. Tenho a convicção de que este contato não será único, devido aos laços de amizade mais estreitos que temos a partir de agora.

Amizade, Disciplina, Perseverança, Conhecimento e Cidadania.

Kombato!