segunda-feira, 29 de julho de 2013

ASPECTOS DO KOMBATO: MOVIMENTAÇÃO


ASPECTOS DO KOMBATO: MOVIMENTAÇAO EM PÉ, DEFESAS E POSIÇÕES

A movimentação em pé - para o Kombatente - tem um peso muito maior do que aquele dos demais sistemas de defesa ou artes marciais. Por isso o Kombato se utiliza de movimentações de boxe inglês, Haidong Gumdô, Esgrima, Kali Silat e Futebol americano. Todos adaptados para as nossas necessidades, que são, evidentemente, sobreviver nas ruas. Isso se deve a diversos fatores, que serão listados abaixo.

1) Base. A base do Kombato não é aberta (pés separados) como em algumas artes marciais, ou juntando os joelhos como outras. É exatamente a base que usamos durante todos os dias - sendo a distância dos pés igual a distância de uma passada normal (andando, e não passada correndo). Isso permite um deslocamento veloz e natural, e até mesmo correr se for necessário. A distância é individualizada, já que pessoas mais altas provavelmente irão se sentir mais confortáveis com uma base mais larga, e o inverso, as pessoas mais baixas.

2) Deslocamento de peso. O deslocamento de peso deve ser natural, como andar, ou como fazer dança de salão. Nada de técnicas complexas, tentar manter a mesma altura sem oscilar, ou joelhos muito flexionados, aproveitando o conhecimento natural do corpo de andar em pé. A única diferença de andar é que, em confronto parado (e não correndo), é vantajoso usar as bolas dos pés como apoio (como no Boxe inglês) e é diferente de usar o pé todo, com o calcanhar. Sem o calcanhar no chão, o descolamento é mais veloz, por simples economia de movimento.

3) REC e as três posições. Existem 3 posições básicas, cada qual por uma razão diferente.
Posição de repouso. É a posição mais natural possível, pois você está nela quase todo o seu dia: braços ao longo do corpo. Em uma situação real, quando o ataque é de surpresa (que será o mais provável), você estará com os braços e pernas nessa posição, até conseguir ir para a posição de expectativa ou combate. Deve-se treinar bem todas as movimentações e golpes traumáticos a partir dela. Ou seja, a partir da posição de Repouso (R ), baseiam-se todas as reações que devem ser treinadas para serem automáticas (R ). (R - Repouso, Reação)
Posição de expectativa. Onde as palmas das mãos estão viradas para o centro do rosto do oponente, cotovelos próximos às costelas, que servem para dar uma ideia de passividade, com intenção de enganar o inimigo. A partir desta situação, sairá uma série de ataques explosivos, aproveitando a situação. É importante lembrar que as testemunhas ao redor provavelmente vão lembrar desta posição, como se você estivesse se defendendo e, se for o caso, isso será importante diante de um juiz. Esta posição também permite uma fuga mais fácil, porque as pernas estão em posição vertical (diferente da posição de combate), e as mãos podem empurrar.  E - Posição de Expectativa (E), e ações explosivas (E).
Posição de combate. Mãos fechadas ou abertas junto da testa, cotovelos próximos ao tronco, corpo semi-flexionado, calcanhares fora do chão. Esta posição aparece quando nada foi resolvido a partir da posição de repouso, nem da expectativa, assim gerando um conflito no qual poderá haver “troca” de golpes, e estratégia. Ou seja, Conflito, Combate, daí o C.
Em todas as posições devem ser treinadas as movimentações.

4) Bilateralidade. Nas movimentações, é importante treinar com a perna esquerda  à frente, e também com a perna direita à frente. Se algum aluno tiver problema de lateralidade, ou seja, dificuldade de se movimentar usando um lado para frente, deve treinar em casa, até sua habilidade ficar igual. Assim como todas as combinações de golpes traumáticos junto da movimentação. O problema de lateralidade é mais comum quando se alcança a VM2 e se inicia o treinamento com armas. Isso permite um ganho vital de tempo em uma situação de risco, pois economiza o tempo de troca de base. É importante treinar não apenas com a posição de combate, mas também a partir da posição de expectativa, e de repouso.

5) O treinamento da movimentação. O treinamento da movimentação deve ser feito, depois de aprendido, como se fosse “dança de salão”, ou seja, bem natural e fluido. O aluno aprende cada movimentação em separado, depois soma os golpes traumáticos a elas, e depois em sequências rápidas, combinações de movimentações, combinações de movimentações com golpes, etc.

6) Desenvolvimento de força para ganho de velocidade. Para se criar velocidade, precisa se se criar força. Isso pode ser feito de duas formas. Uma, colocando um parceiro na frente, com ambas as mãos na crista ilíaca, fazendo resistência quando o Kombatente se desloca para a frente. E o mesmo quando ele se desloca para trás. Ou usando uma faixa/corda para fazer a mesma resistência. Cinco (5) passadas com resistência total. Três (3) séries, pelo menos. Usar caneleiras com pesos nos pés, ao contrário do que muitos pensam, não é benéfico, e sim danoso, pois acaba com as articulações, em especial as do joelho.

7) Desenvolvimento de reflexo. Um aluno de frente para ele. Este faz um movimento, o Kombatente acompanha. Faz para outra direção e o Kombatente acompanha, etc. O objetivo do Kombatente é ser o espelho do outro. Uma outra forma é colocar manoplas para golpes diferentes, e o Kombatente alcançá-las com golpes, usando movimentações diferentes.

8) Distância: Em confrontos de artes marciais, a distância pretendida por cada contendor é a mesma entre eles. Mas nas ruas é muito variável. Exemplificando: um lutador de boxe pretende estar na mesma distância que o outro lutador de boxe; um lutador de Tae Kwon Dô pretende estar na mesma distância de outro lutador de TKD, e isso acontece com todas as formas de combate: Jiu-jitsu, Luta Livre, Judô, Esgrima, Kali, etc., tudo sempre igual. No entanto, nas ruas você pretende estar sempre com uma distância boa para você e ruim para o outro, ou seja: nunca é a mesma distância, pois, quando se fala em pessoas que praticam lutas diferentes, ou simplesmente têm envergaduras diferentes (o que, em competições esportivas, por causa do peso próximo, a diferença de altura e envergadura não chega a ser nada absurdo) isso é comum.

9) Quem controla a distância controla a luta. Quem tem a melhor movimentação controla a distância. Logo, quem controla a movimentação controla a contenda. Se o inimigo não estiver na distância certa para você executar os golpes, é impossível você acertar. Se você coloca o inimigo na distância certa, mas consegue evitar estar na distância dele, a vitória é sua.

10) Quando o Kombatente está na distância de acertar o inimigo, é muito provável que ele esteja na distância de acertar o Kombatente também. O Kombato deve focalizar na segurança, estando distante do inimigo. Portanto, só se deve movimentar para dentro do alcance do inimigo quando for absolutamente necessário, para impedi-lo de continuar. É bom lembrar que a envergadura do inimigo conta muito neste controle de distância, e que entrar contra o mesmo é perigoso, porque ele é o IVAN (Inimigo de maior volume, armado ou em maior número).

11) Existem vários tipos de treinos de combate. Para treinar bem a movimentação e a estratégia citada aqui, é indicado o seguinte treinamento: um dos Kombatentes deve fazer apenas o papel do agressor, ou seja, daquele que avança, para que o Kombatente possa executar a filosofia certa de movimentação.

12) Defesa. Comprovadamente, é muito mais difícil defender-se do que atacar. Qualquer pessoa consegue fazer algum ataque, mesmo sem nenhum tipo de treinamento. Até mesmo uma pedrada é um ataque, o que pode ser bem perigoso. Qualquer um pode dar uma facada sem treinamento, o que pode ser letal. Mas saber fazer uma defesa é muito difícil. Seu cérebro precisa identificar o ataque, e fazer a defesa correspondente. Na prática, mesmo atletas treinados como profissionais de boxe, que trabalham em um universo onde existem apenas de 6 a 8 tipos de ataques, para cada 5 "jabs" acertados, consegue-se defender apenas um. Não se pode confiar, portanto, exclusivamente nas defesas. Assim sendo, as defesas não são a melhor opção para não ser acertado. O que permite um tempo maior para o cérebro avaliar a situação é trabalhar sob treinamento, até alcançar o ato reflexo inconsciente somado à distância que aumenta (daí a movimentação ser tão necessária).

13) Esquiva. O Kombato se utiliza de todas as esquivas do Boxe Inglês, com exceção do pêndulo, pois ele aumenta a chance do inimigo acertar uma joelhada. A esquiva, no entanto, não funciona sozinha. Funciona bem em duas situações: somada as defesas ou bloqueios, e quando o inimigo está dando uma saraivada de golpes, e o Kombatente mantém a cabeça em movimento para dificultar ao máximo que o inimigo o acerte. É bom lembrar que a esquiva depende de um bom treinamento de abdominais de força (veja o artigo "Aspectos do Kombato: preparo físico").

14) Movimentação. Estar longe do alcance das armas do oponente (quando são as armas naturais, armas de impacto ou corte) quando é necessário, é mais seguro do que que ficar parado esperando ataques. Se você estiver longe do inimigo, ele não lhe acertará. Simples assim. Quando uma boa oportunidade aparecer, entre e acerte-o, se não tiver a oportunidade e a intenção de fugir. Porém, quando nos referimos às armas de projétil, o quadro é outro.

15) MEC. Movimentar é o principal, Esquivar secundário e Defender terciário. Todos os três devem trabalhar em uníssono, para maior segurança. Este é o axioma do Kombato.

16) Zona de risco. Para podermos acertar o inimigo com as mesmas armas por ele utilizadas (no caso agora, armas naturais, ou bastões, ou facas), temos que entrar no raio de ação das suas armas. O que significa um risco enorme, levando em consideração que ele é o IVAN. Se você evita o alcance das armas, dificilmente conseguirá atacá-lo. Por isso é importante entrar e sair do raio de ação do inimigo rapidamente, e saber usar as suas armas (de preferência as mais longas) enquanto recua, para acertar os seus membros. Exemplos: o inimigo ataca com uma faca, o Kombatente recua e acerta com sua faca o pulso ou a mão do inimigo. Outro exemplo: o inimigo vem socar, e o Kombatente recua, usando suas pernas para pisar no joelho do mesmo. Um terceiro exemplo: O inimigo vem lhe atacar, e o Kombatente usa a cadeira como arma.

17) Treinamento de entrada e saída. Visto que é perigoso entrar na Zona de Risco, mas muitas vezes uma boa oportunidade aparece, é necessário treinar as movimentações para a frente, junto com os recuos.
- Meio avanço com meio recuo
- Meio avanço com recuo rápido
- Avanço rápido com recuo rápido
- Avanço rápido com meio recuo
- Avanço total com recuo total
- Avanço total com meio recuo
- Avanço total com recuo rápido
A forma mais tranquila para treinar estes movimentos é o seguinte exercício:
O parceiro de treino segura uma manopla de mão próximo ao próprio ombro para servir de alvo, e usa um bastão de 70 a 80 centímetros de comprimento, oscilando na altura da cintura. Quando a oportunidade vir, o Kombatente vai e acerta um jab, e retorna antes do bastão bater. Depois vai aumentando a quantidade de jabs, de diretos, e de outros golpes, e depois aumentando a velocidade do bastão.

18) Golpes traumáticos sempre devem ser feitos juntamente com a movimentação. Exceto nas primeiras aulas, por didática. A movimentação feita corretamente, simultaneamente ao ataque e direcionada ao alvo, aumenta a potência do golpe. Mas deve-se aprender a bater recuando também, mesmo com potência reduzida, para poder evitar o inimigo muitas vezes.

19) Zona quente e Zona fria. A Zona quente corresponde à posição de ficar diretamente à frente do seu oponente. A Zona fria é a de todos os demais espaços. Estar diretamente à frente do oponente é mais perigoso, pois ele pode atacar com facilidade usando ambos os braços. E na zona fria, um só braço ataca com facilidade e o outro não. Ambas as Zonas ficam naturalmente dentro da Zona de Risco.
20) Triangulação. Triangulação para frente e para trás, ou seja, fazer a movimentação de  meio-avanço (triangulação para a frente) ou meio-recuo (triangulação para trás) de 45 a 60 graus, usando a perna da frente como base, ou o mesmo dando um avanço total usando a perna de trás, é a forma de alcançar a Zona Fria do inimigo. No treinamento de Kombato, assim como no Kali e no Boxe Inglês, isso é difícil de ser feito com sucesso, pois ambos estão buscando as mesmas coisas. No entanto, é relativamente fácil quando é um ataque direto, que é um ataque bem comum nas ruas. É sempre mais seguro estar longe do ataque, como citado anteriormente. Mas como isso nem sempre é possível, até mesmo pelo cenário ou velocidade que o IVAN avança, existe a triangulação. Para entender isso melhor, faça um combate simulando um inimigo que só se desloque para frente - como existe em diversas artes marciais - com um outro que é o Kombatente, tentando triangular.

21) Compasso. O compasso é uma movimentação oriunda do Kali, porém muito semelhante a uma das movimentações do Aikidô. Como a mentalidade do Kombato não é vencer o inimigo, mas sim sobreviver, esta movimentação é utilizada para quando não existir possibilidade de contra-atacar. É, portanto, uma movimentação específica para a fuga.  O Kombatente sai da linha reta do ataque do oponente, fazendo um giro de 90 graus com o corpo, fazendo o pivô na perna da frente e, quando possível, empurra o oponente para o lado.

21) Giro. Girar para várias direções é uma das coisas mais básicas que existem no Kombato, e nunca (ou muito raramente) é ensinado em artes marciais, salvo em formas. No Kombato ensinamos para o iniciante, o “faixa-branca”. No Kombato é necessário que se tenha este conhecimento, porque diferente das artes marciais, nossos oponentes não estão á nossa frente apenas : eles podem vir de qualquer direção, para fazer o primeiro ataque. É importante aplicar sequências em todas as direções. Os iniciantes aprendem a usar o braço ou a perna com a maior proximidade para executar um ataque, nas 4 direções (frente, trás, esquerda, direita), e com o tempo em 12 direções, como em um relógio.


22) As movimentações do Kombato são:
(Legenda, 1 (primeiro pé que se move), 2 (segundo pé a se mover), E (esquerda), D (Direita).


*
- Meio avanço (MA). Para ser usado com golpes traumáticos com membros superiores. Ensinado na Branca.
*
- Meio  recuo (MR). Para ser usadas com golpes traumáticos com membros superiores. Ensinado na Branca.
*

- Avanço total (AT). Para ser usada com golpes traumáticos com membros superiores e inferiores. Ensinado na Branca.
*

- Recuo Total (RT). Para ser usada com golpes traumáticos com membros superiores e inferiores. Ensinado na Branca.
*
- Passada lateral pra esquerda. Para ser usada com golpes traumáticos com membros superiores. Ensinado na Branca.
*
- Passada lateral pra direita. Para ser usada com golpes traumáticos com membros superiores. Ensinado na Branca.
*
- Avanço rápido e recuo rápido. O Avanço rápido só serve basicamente para usar com pisões no joelho usando a perna da frente. Ensinado na Verde 1.
*
- Recuo rápido. O recuo rápido para evitar golpes nas pernas, de pisões a armas de impacto ou l. Ensinado na Verde 1.

- Giro. Apenas virar de um lado para o outro, usando a perna certa. BR.
*
Triangulação para a frente para a esquerda (a partir da posição de combate Esquerda) . Para entrar em inimigos de maior tamanho, ou quando não se tem espaço para recuar. Ensinado na Verde 1.
*
Triangulação para a frente e para a direita.
(a partir da posição de combate Esquerda). Para entrar em inimigos de maior tamanho, ou quando não se tem espaço para recuar. Ensinado na Verde 1.
*
Triangulação para trás e para a direita. Para evitar um inimigo que avança bem rápido, mas que pode ser contratacado. Ensinado na Verde 1.
*
Triangulação para trás para esquerda. Para evitar um inimigo que avança bem rápido, mas que pode ser contra-atacado. Ensinado na Verde 1.
*
Relógio. Para aprender a se manter na zona fria. O pé esquerdo se mantém parado na frente, e o pé direito se desloca para a esquerda. No treinamento, deve-se dar a volta completa. Ensinado na Verde 2.
*
Compasso. Adaptado do Boxe inglês. Para quando o inimigo se aproxima em alta velocidade, e seria arriscado triangular. Ensinado na Verde 2.

Nadar. Para fugir da parede e ir embora na direção oposta ao que o inimigo avança, ou quando se está encurralado em uma parede, e para ataques em grupo.
É oriundo do futebol americano (Swim). Ensinado na Verde 3.

Pião. Para fugir de alguns ataques de velocidade menor, como empurrões, ou quando se está encurralado em uma parede, e para ataques em grupo. O movimento se assemelha a uma porta giratória. É oriundo do futebol americano (Spin). Ensinado na Verde 3.


 
23) Outros terrenos. Em eventos em local aberto, o Kombatente pode treinar suas movimentações em outros terrenos. Escadas. Calçadas. Praia. Planos inclinados. Isso não apenas desenvolve força e equilíbrio, mas também deixa o Kombatente mais preparado para situações de rua, visto que o terreno nas ruas dificilmente seria regular, como o terreno da academia.

24) Depois de bem compreendida a situação, o aluno pode se movimentar, e depois até fazer combate em uma sala com objetos, os quais ele tem que evitar para não tropeçar. Os melhores objetos são as manoplas (ideia do Mentor Eduardo Schoeler de Porto Alegre)