quinta-feira, 1 de agosto de 2013

4Artigo semanal de Kettlebell

A partir de hoje, às quartas, um texto para você entender um pouco do Kettlebell e sua aplicação no sistema Kombato.

Pra estrear, um texto meu de algum tempo atrás, atualizado. Curta, comentem e se gostarem bastante, compartilhem!

[ARTIGO] "Como eu começo meu treino com Kettlebell e qual a hora de comprar outro?"

[Aviso: muitas das informações desse artigo são colhidas de textos relevantes e, principalmente, foram testadas por mim, mas eu manterei as referências suprimidas em nome da velocidade do texto. Os que quiserem saber de onde esta ou aquela informação veio, me contatem em kettlebells.kombato@gmail.com]

É difícil ser legítimo. Michael Corleone que o diga. Quem é minimamente fã da obra de Mario Puso, O Poderoso Chefão, sabe que a última parte da jornada mafiosa é a tentativa do filho do eterno Don Corleone de legitimar os negócios da família. Parte dessa empreitada se dá por modificar a base, a fundação de todo o esquema. Vamos tentar aprender com o bom exemplo de Mike e com o meu e construir alguma sabedoria sobre como legitimar os seus resultados com Kettlebells, desde o início (as outras práticas da Famiglia Corleone, no caso, ficam de fora, ok?).

Como eu, você deve ter conhecido o Kettlebell de maneira informal, não pela mão de um profissional da Educação Física, mas por uma cena em um filme, um papo com um colega ligado em artes marciais e MMA ou mesmo um vídeo no Youtube. Tudo bem, não sinta vergonha, a primeira vez para todos é pouco glamorosa. O importante é o que você faz dalí em diante.

No meu caso, eu conheci Kettlebells por fotos estranhas em um livro estranho, chamado Naked Warrior, do russo expatriado nos EUA Pavel Tsatsouline. O livro era estranho porque, na tenra idade de 18, eu achava difícil acreditar que flexões de um braço e agachamentos de uma perna, combinados esporadicamente com abdominais heterodoxas e levantamentos com barra, poderiam me dar o físico de um sátiro grego. Bom, na época a minha disciplina era outra, e eu não me conhecia tão bem para fazer valer as lições do livro.

Mas as fotos bizarras daquele eslavo segurando bolas de ferro como grilhões de presidiário, acima da cabeça, me impressionaram. Como aquelas imagens de circos europeus da virada do século passado, tirando os colants e bigodes. Mal sabia eu que o que parecia “impossível de encontrar” se tornaria tão básico no meu preparo físico.

Dois anos mais tarde, o mesmo colega (a saber, meu professor de Kali Silat e Kombato, Mestre Paulo Albuquerque) encontrou um fornecedor da peça no Rio de Janeiro. O ano era de 2008, e outros livros do mesmo autor já estavam no mercado: dentre eles, os melhores sem dúvida eram Russian Kettlebell Challenge (médio/avançado) e Enter The Kettlebell (iniciante). Pronto, estava forjado o vício: uma prática de condicionamento que me mantinha longe de academias, lendo livros e gastando pouco do meu tempo. Eu não queria mais nada.

No início, eu me dediquei a ler esses dois títulos; vi muitos vídeos online e busquei várias enciclopédias de exercício. Além de, claro, me matar de fazer swings. Muitos swings. E deselvolvimentos militares (Cleasn & presses0. Mas principalmente, swings.

O resto é história: uma compra mal fechada me levou a não querer mais usar o mesmo fornecedor, a proximidade com matérias de engenharia metalúrgica, e lá estava eu visitando um tal de Rogério, em Barra Mansa, e explicando pra ele o que eu queria. Confessor, não foi fácil. “Mas então a bola é oca? Precisa de macho[1]?”. Putz, pra usar precisa ser, mas pra produzir precisa mesmo é de paciência...

Hoje, a Kombato não mais produz Kettlebells próprios, mas se utiliza de peças de qualidade, resistentes e com fantástico acabamento. Mas isso já é outra história. O importante é o caminho que você, que não está sozinho como eu estive quando comecei, precisa tomar para atingir os seus objetivos. Normalmente eu te diria que cada caso é um caso; nesse caso (hmpf...) não é. Todos precisam ter uma base legítima, sólida, como Michael Corleone queria para sua família. Vamos então às regras que aprendi do Don Tsatsouline...

1. Escolha um Kettlebell do peso certo. Mulheres começam com 8 ou 12 Kg, homens com 12 ou 16 Kg. Não variar muito, neste caso, facilita bem mais do que dificlta.

2. O seu objetivo pessoal(perda de gordura, ganho de massa, resistência cardiovascular, aumento de força, explosão) não interessa agora. Assim como uma criança na Classe de Alfabetização, você tem de aprender as letras antes de escrever um romance ou um tratado científico.

3. Seu foco inicial deve ser em 4 exercícios: Levantamento-Terra, Swings, Subidas Turcas (Turkish Get-Ups) e Agachamentos em Taça (Goblet Squats). Mais uma vez, menos é mais. Outros exercícios, como o Clean, o Arranco (Snatch), o Desenvolvimento Militar (Military Press) e o Agachamento Frontal (Front Squat), devem ser merecidos [Princípio 5 do Kettlebell K3].

4. Apesar de ser considerado básico pelo próprio Pavel, o Snatch demanda uma boa experiência em Swings, logo você deve fazê-lo em uma curva de aprendizado planejada e conservadora, de preferência após dominar os primeiros 4.

5. Nesse princípio, principalmente se você está parado há muito tempo, será visível a mudança física. Porém, entenda que a primeira etapa está aqui para criar habilidades, “skills”, que mais tarde te protegerão de lesões e adiamentos desnecessários no seu treinamento.

6. Você não vai acordar com torso do Hulk ou as pernas de um jogador de futebol. Mulheres: relaxem quanto ao efeito de inchaço, sem testosterona extra o risco é zero. Homens: caiam na real, todo ganho rápido e sem esforço vai embora mais veloz do que veio.

7. Não existe Girevoy (praticante de Kettlebell) sem uma boa instrução. Leia os dois livros mencionados acima no texto (há também vídeos em DVD) ou procure um instrutor certificado por empresas de nome (nos EUA, a SFG é a escoha da Kombato; no Brasil, a Funcional Brasil produz excelentes instrutores com padrões de excelência). Na dúvida, corra atrás da leitura e me mande um email sobre fontes de referência (kettlebells.kombato@gmail.com).

8. A sua idade não deve intervir no seu treinamento. Porém, se você está na faixa acima dos 50, recomendo DVDs como “The Kettlebell Boomer” e "Resilience", ambos especialmente desenhados para a sua faixa etária. Uma busca no Google lhe indicará onde comprar.

9. Nos primeiros 3 meses, o importante é conseguir executar os quatro exercícios básicos com boa postura, mesmo que por poucas repetições. Subidas Turcas devem ser executados inicialmente SEM PESO, apenas para aprender a forma, de 40 a 50 vezes cada um.

10. Swings, Cleans e Arrancos são chamados de balísticos. Funcionam muito bem no fim do treino. Os outros exercícios mencionados são de força linear, onde você se opõe paralelamente à gravidade para executar o movimento. Esses devem ser feitos no início do treino. Você saberá que já avançou além de um peso quando puder fazer mais de 10 Subidas Turcas, 5 em cada mão, em sequência.

Até lá, "leave the guns and bring the canolli".

[1] Macho: peça de fundições de metal que fixa o vazio pretendido em peças ocas.