sexta-feira, 9 de agosto de 2013

ASPECTOS DO KOMBATO 04: DEFESAS, ESQUIVAS E CONTRA-ATAQUES DE GOLPES TRAUMÁTICOS

Artigo do fundador da Kombato, Mestre Paulo Albuquerque.
Revisão do texto, Paulo Albuquerque Sr.

Este artigo deve ser lido depois do artigo escrito sobre movimentação e golpes traumáticos -.

1) Existem três tipos de defesa: Bloquear, Acelerar e Desviar (BAD). Existe também a absorção do golpe (só não é possível se for com armas de corte, e extremamente perigoso se forem armas de impacto).

2) Como citado anteriormente, as defesas não são verdadeiramente úteis, exceto quando somadas à movimentação e à esquiva.

3) Para o Kombatente, uma defesa é sempre uma parte do contra-ataque. É possível fazer o contra-ataque sem defesa, mas o ideal é que não exista defesa sem fazer o contra-ataque.

4) Contra-ataque é mais importante do que a defesa pura e simples, porque pode parar o agressor. Uma defesa geralmente só dá ao Kombatente um pouco mais de tempo, ou seja: adia uma possível derrota. Só ataques e contra-ataques podem terminar um confronto físico.

5) Bloqueio é quando você usa os braços ou pernas como “escudo”, ou seja, a pancada fica sendo levada no membro, ao invés de chegar ao alvo desejado pelo inimigo. Como o seu inimigo é o IVAN (Inimigo de maior Volume, Armado ou Número), bloqueios só servem por um tempo mínimo, e poucas vezes o seu braço/perna vão aguentar receber pancadas feitas por muito tempo por um inimigo maior. Se ele estiver armado menos ainda, e em maior número, não se consegue proteger o corpo todo contra pancadas vindas de todos os lados.

6) Desvio. Desvio é um tipo de defesa que só existe contra socos retos. Não importa muito a força do oponente neste caso, mas importa a velocidade dele. Quando mais veloz o ataque mais difícil fazer o desvio, mas neste caso, o desvio bem sucedido dá mais resultado (por simples física). Não é necessário usar força para desviar um soco. Apenas bater no pulso no tempo certo. 6) Absorver o impacto só é possível se for em áreas bem treinadas para receber o impacto, e em áreas com musculatura densa. E é o último dos recursos. São treinados os peitorais, abdômen, asa (latíssimus dorsi) e coxa. Trabalhos de flexão, agachamentos e abdominais, como utilizados no aquecimento e com o Kettlebell, são essenciais.

7) MEC. Movimentar é o principal, Esquivar secundário e Defender terciário. Todos os três devem trabalhar em uníssono, para maior segurança. Este é o axioma do Kombato.

8) Contra-ataque pelas 4 portas. Na arte marcial filipina do Silat, aprendemos que, para cada golpe dado, existem 4 portas. Esta filosofia foi absorvida pelo Kombato. Em cima do membro, por baixo, por dentro (lado quente), e por fora (lado frio). No Kombato verificamos que dessas 4 portas, geralmente há 2 abertas, e é quase impossível o atacante deixar todas “fechadas” para um contra-ataque.

9) A porta aberta depende de onde o Kombatente está em relação ao inimigo (frente, trás, direita ou esquerda), a diferença de altura, e as armas envolvidas (braço, perna ou arma). Para desenvolver a habilidade de dar o contra-ataque, é necessário um exercício: um aluno promove um ataque, o Kombatente se movimenta evitando, e depois dá um contra-ataque em uma das portas abertas.

10) No Kombato não bloqueamos chutes com o antebraço, e muito menos com a mão. Isso é claramente arriscado por duas razões: A primeira é bem óbvia - opor a pancada de um chute dado por alguém maior e mais forte com a canela ou pé, é apenas masoquismo (talvez até quebre o braço). A segunda é que dependendo da distância, ao abaixar a mão do rosto para defender um chute, pode ser a oportunidade que o inimigo precisa para acertar sua cabeça; pois o atacado estará sem a guarda.

11) BLOQUEIOS Bloqueio de cabeça: contra tapas, e demais golpes que por fora até a cabeça, como cruzados, etc (BR). Também usado contra cabeçadas (VR2). Quando usada contra chute circular na cabeça (VR3 quando em pé, e VR1 e VR2 quando o Kombatente está no chão), se usa a palma da mão livre para amortecer, no joelho ou próximo ao mesmo. Este bloqueio é usado tanto em pé quanto no chão, contra socos ou chutes. Bloqueio de tronco: abaixando o bloqueio para proteger as costelas e baço, contra socos e chutes (BR). Bloqueio de chutes baixos: contra chutes frontais, levantar a canela e, em seguida, usar o joelho para baixo. Contra circulares, entrando com o joelho na direção do inimigo. Em ambos os casos, pode-se usar a mão do jab ao mesmo tempo para empurrar, ou socar. (BR). Bloqueio de joelhada: Usar a ponta do cotovelo na parte anterior da coxa dos inimigos (VR1). Bloqueio híbrido: usado quando a trajetória do golpe do inimigo não está bem definida (um swing ou “mata-cobra”, por exemplo). Então serve para bloquear até mesmo golpes em linha (BR).

12) ACELERAR Acelerar chutes. Acelerar é quase como fazer um desvio, porém ajudando/empurrando a arma que o ataca, para longe (quase sempre perna). Dificilmente valeria a pena acelerar um soco, pois são movimentos curtos, e acelerar não afetaria em nada o equilíbrio do inimigo. Para maior efeito, deve-se acelerar “retendo” ou “segurando” a perna do inimigo um segundo. Isso dá um tempo ao kombatente, que permite que ele consiga alcançar até mesmo as costas do inimigo (VR1).

13) DESVIOS Defesa para dentro com a palma: usada contra jab e direto, quando são dados em direção ao rosto, peito ou pescoço. Este desvio é usado tanto em pé quanto no chão, contra socos (BR). Defesa para dentro com o antebraço: usada contra jab e direto quando eles são dados em direção ao plexo solar, ou abdômen (BR).

14) ESQUIVAS O Kombato contém todas as esquivas do boxe (para trás, para o lado) exceto o pêndulo, que é mais perigoso devido às respostas com joelhada. Para as esquivas serem bem feitas, é necessário um bom trabalho de abdominal e de estabilização, o que é dado no aquecimento, e no treinamento com kettlebell (BR).

15) O treinamento com manoplas não deve ser apenas feito com alvos para ataques, mas manoplas forçando movimentação, esquivas etc. Se o treinamento for feito da forma correta, simulando um confronto, é um treinamento aeróbico até mesmo para quem segura as manoplas.

16) Esquivas e defesas podem e devem ser treinadas também com bastões espumados, simulando membros que atacam.

17) CONTRA-ATAQUES. A frase “a melhor defesa é o ataque”. É 100% verdadeira, quando se fala em Kombato.

18) Os melhores contra-ataques, quando se tem um oponente, são os pisões no joelho. Não é necessário promover defesas para efetuar esse tipo de contra-ataque, pois eles mantém a distância do inimigo. Podem contra-atacar contra socos, e contra qualquer chute (pisando na perna de apoio (BR, VR1, VR2).

19) Quando não se consegue contra-atacar em alvos mais frágeis, como o joelho, o nariz, etc., efetua-se o contra-ataque nos membros que atacam. É relativamente fácil nos braços, quando socam, mas também é possível fazer o mesmo com chutes nas pernas que atacam (porém é consideravelmente mais difícil).

20) Um contra-ataque é altamente desestimulante.

21) Defesas aperfeiçoadas. À medida que se avança no Kombato, se aprende a aperfeiçoar as defesas, de forma a poder dominar ou lesionar o oponente. É necessário, naturalmente, dominar as versões mais básicas de cada uma dessas defesas antes (VR1 em diante). Bloqueio de cabeça ou tronco aperfeiçoado. Usar o cotovelo um pouco aberto, para lesionar a mão, o pé, a perna ou o antebraço do ataque do inimigo. Também se usa com o cotovelo ligeiramente mais alto, para poder “capturar” o ataque do inimigo na axila. Desvio de soco para o cotovelo. Usa-se a palma para jogar um soco para o cotovelo, de forma a fazer com que o inimigo soque o cotovelo, lesionando consideravelmente a mão.

22) Em alguns casos, é possível reter a perna ou o braço do inimigo, depois de um golpe. Isso permite diversos contra-ataques. Projeções, golpes traumáticos em sequência, etc. (VR3).

23) Existem situações (todas estudadas na VR3), nas quais se realiza o contra-ataque justamente quando o inimigo lhe acerta (ou seja, o Kombatente falhou na defesa). No Kombato devemos treinar também para os possíveis erros. E tirar o melhor proveito deles.