domingo, 4 de agosto de 2013

ASPECTOS DO KOMBATO: GOLPES TRAUMÁTICOS QUANDO DESARMADO

ASPECTOS DO KOMBATO: GOLPES TRAUMÁTICOS QUANDO DESARMADO P
elo fundador da Kombato, o Mestre Paulo Albuquerque

Para resolver diversas situações de violência, é necessário o uso de golpes traumáticos. Essas são as ferramentas usadas para bater em diversas partes do corpo do inimigo. O Kombato possui diversos golpes, utilizados em situações diversas.

 1) Os golpes podem ser aplicados com praticamente qualquer roupa, pois o Kombato é para situações reais. Isso exclui, naturalmente, chutes altos. Ninguém consegue chutar acima da cintura com uma calça jeans, por exemplo, e seria problemático o uso de saias, por razões evidentes. Naturalmente, deve-se treinar com um uniforme que é confortável, mas deve-se agendar uma data para ser o “casual-day”, nem que seja uma vez por ano, onde os alunos devem vir com as suas roupas do dia-a-dia. Neste momento, as mulheres perceberão o risco que é se locomover com saltos altos e os homens de vem verificar o quanto um blazer atrapalha para socar, e como um sapato de solado liso pode ser perigoso e que um “boot” é ruim de correr, mas bom para chutar. O que importa é que os alunos ganhem consciência disso. No "casual-day" é importante que o Kombatente tire os anéis e brincos, pois isso é perigoso no treinamento para o próprio praticante e para os demais.

 2) Todos os golpes dão impacto de retorno ao praticante, mas por isso os golpes devem ser dados de forma correta para que o Kombatente possa assimilar este impacto sem causar danos. Não adianta nada se dar um bom soco, e voltar com os dedos quebrados. Por essa razão, a preferência é a de usar cotovelos, joelho, carpo e calcanhar, ao invés de peito de pé, bola de pé, socos, etc. A terceira lei da Física, de Newton, jamais deve ser colocada de lado quando se fala em autodefesa, e é bom lembrar que em esportes existem protetores, e desta forma estes efeitos de “ação e reação na mesma direção e em sentido oposto” muitas vezes são negligenciados.

 3) No Kombato, os socos executados com mãos fechadas como jab. direto e cruzado são efetuados com os ossos das falanges inferiores, como no Kung Fu Wing Tsun, e não como no Karatê, com os dois maiores ossos (indicadores e médio). Para que fosse possível usar as falanges do dedo indicador e médio seria necessário muito tempo batendo em superfícies duras, até deformar as mãos para que dê o resultado desejado, ou seja, preparar o pulso e as articulações para esta posição anti-natural. Socar com as três outras falanges, como fazemos no Kombato, é mais natural, porque é o prolongamento do antebraço. A diferença para o soco do wing tsun é que usamos o quadril, ombros e movimentos como no boxe inglês, e que o punho não precisa ser vertical. Basta acertar o alvo com as juntas citadas. Os praticantes de Kombato não devem se deformar calejando os ossos, pois não possuem tempo suficiente para isso. Socar usando as duas primeiras articulações, quando atingindo um alvo rígido como uma cabeça, pode dar um trauma chamado fratura de boxer.

 4) No Kombato, os socos cruzados são com o punho na vertical. Isso impede que ao socar uma cabeça, o movimento quebre os dedos por estarem separados, em especial os dedos menores. É bom lembrar que no pancrácio e no boxe sem luvas (Bare Knucle Boxing), se socava em vertical. E nessas artes antigas não usavam ataduras, e muito menos luvas.

 5) A posição do pé nos chutes pouco importa no Kombato, pois quase todo o tempo estaremos calçados nas ruas. Mas chutar com a ponta só seria permitido em uma área muito frágil como os testículos, pois pode-se hiper-estender o peito do pé, lesionando-o ao usar em outros alvos.

 6) Nas cotoveladas, pouco importa estar com as mãos abertas ou fechadas, já que a área de impacto é o cotovelo.

 7) A mecânica do golpe não depende apenas da força dos braços ou das pernas, mas de todo o peso do corpo que vem atrás do golpe. Assim como um aríete. E para trabalhar esta força, o giro dos quadris na direção do golpe é essencial. O giro dos ombros também, quando se fala de golpes com membros superiores.

 8) Os golpes devem ser desferidos em locais os mais frágeis possíveis e mais fáceis de serem acertados, ou seja, nada de chutar a parte de dentro da coxa, se é possível acertar os testículos. Nada de socar o peito, se existe possibilidade de socar o queixo. Nada de chutar a coxa, se é possível pisar no joelho e nada de dar joelhada no abdômen, se é possível fazer isso no genital ou na cabeça.

 9) O treinamento de socos deve ser - no máximo - com uma atadura fina (que não faça volume ao redor dos dedos), circulando a mão. Isso já é suficiente para proteger da abrasão de socar manoplas. Praticantes de lutas que usam ataduras e luvas terão problemas factuais em lutar sem elas nas ruas. O campeão mundial de boxe, Mike Tyson, quebrou a mão lutando nas ruas, ao dar um único soco. É mais seguro chutar as manoplas calçado com tênis ou sapatilha fina, mas isso nem sempre é possível, devido à existência de tatame.

 10) Os golpes devem ser treinados para todas as direções, e sempre bater com a mão ou o pé mais próximo do alvo em questão. O iniciante usa apenas a orientação Norte, Sul, Leste e Oeste (ou seja, frente, trás, direita e esquerda), e depois que se acostuma a socar ou chutar com o braço ou membro mais próximo, passa-se a fazer o mesmo como se fosse atacar para todas as direções oferecidas por um relógio. Sendo 12 horas para frente, 6 horas para trás. O praticante faz uma sequência (pré-determinada ou aleatória) sob o comando verbal do mentor, ou até mesmo pelo som. Os alunos ficam de olhos fechados, e reagem pelo bater de palmas do mentor. Depois disso, atacam e usam a movimentação na direção do golpe.

 11) O que é IVAN. IVAN é a sigla que usamos no Kombato para dizer: Inimigo (e não adversário), de maior volume (e não do mesmo peso), Armado (e não desarmado) e/ou maior número (ao invés de um só inimigo). Isso é para lembrar a todos que quem enfrentamos nas ruas não tem nenhuma relação com quem enfrentamos no tatame, ou no ringue. Tudo o que fazemos tem que refletir isso.

 12) Existem golpes comuns e golpes de oportunidade. Golpes de oportunidade são aqueles nos quais o alvo precisa aparecer por um momento desprotegido, para ser acertado (ex: testículos, costelas). Para executar golpes de oportunidade com sucesso é necessário muito mais treinamento de timing com manoplas, do que os golpes comuns.

 13) Golpes menos lesivos são utilizados nos músculos para criar dor, para poder imobilizar (com técnicas de imobilização da VM2) ou conduzir um agressor sem provocar sangue. Ou simplesmente para dar uma solução menos violenta, e sem sangue, para uma contenda. Isso diminui a chance da violência escalar. Os alvos mais comuns para isso são coxas (com chute circular ou joelhada), boca do estômago (com jab ou direto), rim ou baço (com cruzado).

 14) Deve-se treinar os golpes traumáticos a partir das três posições: repouso, expectativa e combate. Sendo de fato a principal aquela de repouso, pois, quando uma agressão vem, dificilmente estaríamos em outra posição que não a de repouso.

 15) Dilema do soco na cabeça. Existe sempre o risco de, ao socarmos uma cabeça o agente lesionar fortemente sua mão quando acertar. Muitas vezes as pessoas se esquecem da física básica, ensinada no colégio, mas “para cada ação existe reação em intensidade igual etc.” é uma verdade sempre, e fica claro quando você soca uma superfície rígida, e a mão volta destruída. No Kombato, ensinamos as pessoas a usarem as mãos abertas na cabeça, e fechadas no tronco. Alunos que tem mais treinamento e passam no teste da bola de 2 kg (um aluno arremessa a bola (medicine ball) em direção ao Kombatente e ele rebate dando um soco 5 vezes seguidas), estão aptos a usar a mão fechada na cabeça, com riscos bem reduzidos.

 16) Calejamento. Alguns praticantes de artes marciais acham necessário praticar o “calejamento” de canelas, antebraços e mãos. Na verdade, se mal feito ou com exagero, existem diversos tipos de lesões associadas a essa prática, algumas permanentes, além de não ser tão útil quanto parecem, pois o curto tempo de uma contenda na rua não vai permitir mais que uma pancada em uma região frágil. A primeira parte do treinamento, ou seja “perder a sensibilidade”, é útil, mas basta treinamento com sacos de areia, manoplas e pneus para isso, nada mais. De qualquer forma, o foco do Kombato é em “não estar lá” e, não, em agüentar pancadas.

 17) Não imobilizamos o inimigo para bater (como é feito no panggamut por exemplo). Só desferimos no máximo cinco golpes seguidos, ou seja: 2 segundos de golpes. O cálculo é o seguinte: o inimigo que não tivermos visto (cerca de 6 metros), pode alcançar o kombatente em 2 segundos. Neste período, aplicamos cinco golpes, paramos de bater, e verificamos o ambiente rapidamente. Sem mais inimigos, podemos continuar. De outra forma, temos que largar. É bom lembrar que, enquanto segurarmos, também estaremos presos.

 18) Número mínimo e numero máximo de golpes. Como o inimigo é o IVAN, não acreditamos que ele vá desistir, ou parar, porque acertamos um golpe, por melhor que ele seja. Daí, treinamos para desferir cinco golpes, sempre. Bater incessantemente também acarreta um outro risco, que é o de dar chance para amigos dele chegarem. Portanto, ao executarmos cinco golpes, temos que verificar se existem inimigos ao redor. Não conseguimos ver um outro inimigo quando ele estiver há cerca de seis metros, quando sua atenção está focalizada no primeiro inimigo. Os cinco socos são dados comparando com o tempo de deslocamento de um segundo inimigo, que se aproxima a mais de seis metros.

 19) Defesas. Como citado anteriormente no artigo “Aspectos do Kombato: Movimentação”, defesas não são muito úteis, exceto se combinadas com movimentação e esquivas. Elas são citadas em bloqueio, e defesa. Bloqueios absorvem pancada, e isso tem um limite, ainda mais lembrando que é um IVAN (ou seja: Inimigo mais forte, ou vários inimigos, ou ainda armados!). No Kombato usa-se bloqueio de cabeça contra cruzados, tapas, etc., mas bloqueios de frente somente quando o Kombatente estiver encurralado.

 20) Resistência localizada. Não existe nada de saudável ficar tomando socos na cabeça para se acostumar. Isso é a antítese da segurança. É como ir ao dentista, e voltar de lá com cáries, lesionado. No entanto, as partes que têm mais musculatura podem ser treinadas para resistir a pancadas, com pouco tempo de treino e nenhum risco. Daí a resistência localizada. O treinamento não deve feito todos os dias, nem todas as semanas. Pode-se treinar bem o abdômen, as coxas, o "latíssimos dorsi", com um parceiro de treino batendo de forma gradual e controlada em cada uma destas partes do corpo. Para treinar a cabeça para evitar os nocautes, o ideal é treinar o pescoço sem pancadas e, depois com um parceiro já com a palma da mão na testa, empurrando a cabeça para trás e o kombatente tentando segurar a cabeça no lugar. Naturalmente deve-se evitar socos nas regiões do coração e mamilos. E mulheres não devem receber socos nem no tronco, nem no abdômen, apenas com muito cuidado, sem causar nenhum tipo de dor ou lesão.

 21) O Kombato usa sequências, ao invés de um único golpe. Técnicas de combate que investem toda a potência em um único golpe, geralmente focalizam em dar um golpe devastador, usando toda uma mecânica direcionada para isso. No entanto, nos testes práticos, é muito difícil (extremamente improvável), conseguir acertar o inimigo com um único soco e ainda obter o nocaute. O Kombato, portanto, investe em combinações de 5 golpes para que obtenha mais resultado.

 22) Dor é um fator individual. E é dividido em quatro fatores, dos quais um é o cognitivo. Se o seu inimigo já está acostumado com dor, você terá que acertá-lo muito mais vezes até que ele desista. Portanto, isso é um fator que consome tempo e aumenta os riscos. Desta forma, a prioridade é bater em locais onde haverá dano estrutural, o que impede o inimigo de continuar, sendo o alvo principal o joelho. Se o inimigo não consegue ficar em pé, não tem praticamente chance de continuar. Se você chutasse a coxa do mesmo, ele sentiria a dor, mas haveria grande chance de continuar. Quando falamos no uso de armas, como bastões e facas, os alvos naturalmente são outros, e existem muito mais opções.

23) Princípio de Hicks e princípio de Berg. São dois princípios que utilizamos como base para o treinamento, O princípio de Hicks se baseia em ter menos decisões para ter decisões mais rápidas. O de Berg consiste em treinar o seu corpo para menos opções de técnicas, para ser mais rápido. Da mesma forma, portanto, não podemos ter três mil golpes, se queremos ser efetivos. Poucos golpes e bem feitos são uma opção bem melhor. Apesar do Kombato ensinar diversos golpes traumáticos, o aluno pode e deve, como “dever de casa”, treinar os golpes que considera mais eficazes para ele.

 24) Ao mesmo tempo que não podemos ter muitos golpes para poder aprender com qualidade, temos que ter uma variedade de golpes suficientes para poder resolver todos os problemas encontrados. Portanto, o número de técnicas a ser aprendidas é regulado para cima, para cobrir as necessidades. E para baixo, para ser efetivo.

 25) Treinamento de repetição. Golpes traumáticos precisam ser treinados em todas as aulas, sem exceção. Golpes traumáticos não são movimentos naturais para o corpo humano. Apenas agarrar e empurrar são movimentos naturais, assim como lutar no chão. Por isso é necessário treinamento desses golpes em todas as aulas, de diversas formas, para que se tornem uma segunda natureza.

 26) Chutes são menos úteis do que socos, e não são úteis em ataques de grupo, pois as pernas serão usadas primariamente para se deslocar. Quando existe mais de um oponente, é altamente proibitivo usar as pernas. Exceto talvez no primeiro momento, onde um pisão pode ser bem utilizado para impedir o avanço de um inimigo. Mesmo com o uso dos chutes sendo restrito, precisamos treiná-los com a mesma quantidade de tempo que os socos, pois as pernas são menos hábeis, por razões evidentes.

 27) Mecânica Ideal, Timing, Noção de Distância, Potência e Intenção. É o que cada golpe precisa para obter a perfeição. É importante notar que, depois dos primeiros golpes, e dos primeiros segundos, a forma perfeita ou "timing" vai desaparecendo; devido à adrenalina, à visão de túnel e à falta de oxigênio. Mas quanto mais treinos houverem, mais próxima da perfeição se manterá, e melhor controle da respiração.

 28) SITREP. Os Sitreps (Sistema de Treinamento Repetitivo), são formas ideais de aprender a usar as ferramentas que são os golpes traumáticos, porém aliados a projeções, defesas, movimentação, contra-ataques etc.

 29) A Mecânica Ideal é a melhor forma de executar o golpe, ou seja, reduzindo o impacto para o usuário, aumentando o dano e melhorando a velocidade. Todos os esportes têm movimentos que dependem de uma mecânica ideal. Tênis, beisebol, futebol, natação, artes marciais e defesa pessoal não são diferentes. Cada soco, cada chute no Kombato têm uma mecânica própria. No momento de stress, o nível técnico comprovadamente cai, mas, quanto mais próximo do ideal, melhor.

 30) Timing significa estar no momento certo, na hora certa. Para isso deve-se treinar bastante com manoplas em movimento. Mas as manoplas devem ser colocadas em todas as direções, não apenas à sua frente, pois não treinamos para enfrentar um único inimigo.

 31) Noção de distância. Algumas artes marciais usam como distância a extensão completa do braço ou perna. No caso do Kombato é aproximadamente 70-80% do braço ou perna, para que o impacto atravesse o alvo, em todos os golpes. Treinamento com pneu como alvo ajuda muito a entender quando o golpe “atravessa” o alvo, pois o pneu dobra. Além disso, com o alvo querendo evitar o conflito, e usando de esquivas e movimentações para evitar o golpe, este detalhe se torna ainda mais importante. 

32) Intenção. Você pode ter um golpe com todas as características acima sincronizadas perfeitamente. Mas, se a intenção for ser “suave”, não adianta nada, pois não haverá impacto.

 33) Potência. Se o golpe não tiver poder de destruição, ele nada vale. Daí ser primordial o treinamento físico direcionado para força e explosão.

 34) Golpes arriscados são os que levam muito tempo para serem completados, da mesma forma que chutes acima da linha do peito. Então isso exclui chutes altos, e chutes altos giratórios. Esta é mais uma razão para no Kombato não existirem chutes altos. Isso não significa que o Kombatente é proibido de utilizá-los, porque, afinal de contas, existe a experiência pessoal de cada um. No entanto não recomendamos. Todos os riscos devem ser evitados na rua.

 35) No treinamento é necessário haver chutes altos, mas apenas para função educativa - um Kombatente usa os chutes altos para que o seu colega de treino aprenda a defender. E só. Não usamos chutes altos. Da mesma forma ganchos (hooks, socos) no tronco; apesar dos kombatentes não usarem este golpe, pois a chance de lesão é grande, em especial nos polegares, devido à chance de acertar o cotovelo do inimigo.

 36) Bater incessantemente. Depois de sair de apresamentos, sempre são dados cinco ou mais golpes traumáticos, depois se recua e olha-se para um lado e para o outro. Bater, depois de sair de golpes traumáticos, é importante porque apresamentos acontecem somente quando o Kombatente não consegue evitar. E isso acontece geralmente quando se é pego de surpresa. Quando se é surpreendido não se sabe exatamente quantos inimigos são e onde eles estão, e se é possível executar o LÁPIS.

 37) LÁPIS: Localizar Armas próprias (incluindo as suas corporais), Armas impróprias (objetos que podem ser utilizados como armas), e pontos de saída (por onde fugir). É a sigla sobre o que fazer depois de sair de um apresamento ou de uma situação difícil.

 38) No Kombato não usamos fintas. Fintas consomem tempo, e podem ser perigosas, pois o inimigo pode não reagir como deveria, e o tiro sair pela culatra.

 39) Chute frontal nos testículos com ponta do pé, canela ou bola do pé? Tanto faz. Em especial porque estamos quase todo o tempo calçados nas ruas. O que importa é o chute alcançar. Portanto, em alguns casos a ponta pode ser útil.

 40) Os golpes com membros superiores e cabeça são são: Jab no queixo / Jab no tronco Direto no queixo / direto no tronco Cruzado no queixo /Cruzado no tronco Jab e direto no tronco Cotoveladas horizontais, verticais, diagonais para todas as direções Martelos para a frente, para o lado, para trás, giratório, etc. Aríete Cabeçada

 41) Os golpes com membros inferiores são Circular na perna - Uso didático e para alguns usos na segurança. Joelhada no genital Joelhada do Kombato - desferida pelo lado, para evitar que o inimigo desfira uma joelhada também Pisão no abdômen Pisão no joelho de frente, lado, oblíquo, e giratório Circular na perna, tronco e cabeça (este último apenas para uso acadêmico) Pisão no tronco de lado Giratório no tronco Martelo para frente, lado, costas, reverso e giratório.

 42) Tendo apenas 1 (uma) hora para ensinar apenas os melhores golpes traumáticos, ensinaremos o golpe do carpo, e os três pisões: pisão reto, pisão de lado e oblíquo.

 43) Os chutes circulares têm duas versões para a perna de apoio. Quem é leve, ou seja, com peso abaixo dos 80 quilos, pode levantar o calcanhar da perna de apoio, para poder girar sem lesionar o joelho. Quem tem peso maior do que 80 quilos deve dar uma passada em 45/90 graus com a perna de apoio, antes de desferir o chute. Isso se deve ao risco de lesionar o joelho de apoio, ao dar o chute.

 44) Os chutes circulares têm duas versões. Pode-se treinar o chute girando, ou seja, de forma “longa”, atravessando o golpe; ou versão curta, parando no alvo. O treino com giro é mais eficaz. Porém, deve-se lembrar sempre que é um chute de risco (porque o inimigo pode levantar a perna de defesa e ele sendo maior, o impacto de retorno na perna é enorme, podendo dar uma lesão maior em quem chuta do que em quem recebe), e por isso o foco do Kombato são os chutes de pisão, que têm baixo índice de lesão de retorno. De qualquer forma, este é um chute que só será usado com função real para não lesionar o inimigo. Pode-se dar o chute circular de forma descendente, assim evitando o joelho e a canela do inimigo> Mas, de qualquer forma, sempre será mais complexo e menos efetivo do que um pisão no joelho.

 45) Alguns golpes só funcionam em combinação. Martelo giratório só funciona precedido de um jab, cotovelada na nuca só funciona depois que o inimigo dobrou-se na altura do abdômen por resultado de outro golpe; chute giratório só funciona depois de uma sequência de golpes, de preferência socos (pela distância), ou como contra-ataque.

 46) Treinar golpes traumáticos recuando ou não? Em algumas artes marciais não se usam golpes quando se recua. No Kombato, sim. Mas existe a forma Kombato de recuar, que é diferente, pelo menos no caso do recuo total com chutes. Naturalmente, o Kombatente só recua porque o inimigo avança. Se ele não recuar, é atingido.

 47) O recuo total é mais rápido do que o meio recuo. Porém, existe o risco de cruzar as pernas e de tropeçar. No entanto, a potência do golpe recuando é maior quando se usa essa movimentação. Mas vamos tomar esta movimentação por referência, para o uso da movimentação com o chute. O Kombatente fez o recuo total. Se ele chutar recuando e usar a perna de trás (ou seja a que acabou de se mover), vai gastar tempo. Então o correto do ponto de vista do Kombato é: recuo total, chutar com a perna que permaneceu na frente, e depois cair com a perna que chutou na frente (para poder atacar com socos por exemplo), e não chutar e recuar novamente. Como esta é uma movimentação mais complexa para se aprender, podemos usar o seguinte recurso: o parceiro avanço com a manopla e o Kombatente recua e chuta; mas no momento em que ele acerta a manopla, troca-se a manopla para a posição de socar jab-direto (ou outro soco). Isso faz com o que o Kombatente recue, use a perna certa, e depois caia à frente para socar.

 48) Os pisões no joelho podem ser feitos avançando com avanço rápido ou avanço total. Mas, para recuar, só é possível serem feitos com meio recuo e recuo total.

 49) Golpes para uso didático é como chamamos os golpes que temos que aprender, apenas para que seja possível aprendermos a defesa. Golpes traumáticos, apenas para uso didático, são: circular na cabeça (a defesa usada para este golpe é a mesma para todos os demais chutes na cabeça) e circular no tronco.

 50) Manoplas. O uso das manoplas é essencial, porém o ideal é utilizar diversas manoplas para obter o melhor resultado. Quatro tipos de manoplas/alvos são usados no Kombato: manoplas comum para socos (como usada no boxe), raquetes (como usadas no TKD), manoplas grandes para chutes “Manoplão” (como usadas no Muay Thai e Kyokushin), e pneus (usada somente no Kombato).

 51) Todos os chutes devem iniciar seu treinamento pela manopla de raquete. Os chutes circulares devem ser treinados no manoplão também, e alunos mais graduados usando o pneu (que tira a sensibilidade da área, e dá o sentido de resultado melhor, pois o pneu dobra para dentro quando o peso é usado corretamente); alguns alunos vão preferir usar caneleira para proteger a canela ao usar o pneu. Os pisões devem ser treinados com raquete ( inclinada em 45 graus quando os pisões são no joelho, ou transversal ao chão quando o pisão é no tronco; quando o pisão é no tronco com manoplão, e depois todos com pneu, que demonstra melhor o resultado do impacto. As joelhadas são treinadas com manoplão (a 45 graus do chão), e com pneu.

 52) Os golpes com membros superiores devem ser treinados com manoplas de boxe, com manoplão quando no tronco, e com pneu, porém usando luvas, de poucas "onças".

 53) Alguns chutes só são executados ou com a perna da frente ou com a de trás. Pisão de Lado no joelho ou tronco só com a perna da frente (se usasse a perna de trás, seria mais eficaz usar um pisão comum). Oblíquo com a perna de trás (para a maioria das pessoas é antinatural usar a perna da frente com este chute). Giratório com a perna de trás (para fazer com a perna da frente seria necessário um giro a mais, o que seria desnecessário e perigoso para o praticante, por perder tempo e se expor).

 54) O recuo rápido é uma movimentação mais rara de se usar, mas é a mais útil quando se está parado e se precisa evacuar rapidamente para evitar, por exemplo, um pisão no joelho ou uma pancada de bastão no mesmo local. Não se consegue, no entanto, bater recuando usando esta movimentação.

 55) Um bom treinamento de movimentação e golpes traumáticos é utilizado com o uso de uma manopla e de um bastão. O parceiro oscila o bastão na altura da cintura do Kombatente. A outra mão do parceiro segura uma manopla ao lado do rosto. O Kombatente tem que entrar e sair no tempo certo, para acertar e recuar.

 56) Os leigos de uma forma geral pensam em socar logo os olhos e o nariz do inimigo. Mas isso tem um grande risco: um mínimo movimento do inimigo inclinando a cabeça para a frente faz com que se quebrem os dedos, socando na testa. Daí, nosso alvo principal é o queixo. Se ele mover a cabeça, acertamos o nariz.

 57) A movimentação, quando feita da forma correta na direção do alvo, amplia o impacto do golpe. Mesmo uma "meia-passada" já aumenta o impacto.

 58) Qual a diferença entre usar o golpe do carpo (escala ou calcanhar da mão), e um soco em linha (jab, direto)? O dano do soco é um pouco maior e tem mais alcance do que um golpe com o carpo. No entanto, sempre tem mais risco de lesão para o próprio agente. Alunos que têm dedos finos, ou têm pouco treinamento, sejam homens ou mulheres, têm sempre a opção de usar bem o golpe do carpo.

 59) A respiração deve ser cadenciada com os golpes. Solta-se o ar (pelos dentes, nunca de boca aberta) quando se executa um golpe, e se aspira nos intervalos. Não se engane achando que isso fará pouca diferença em um combate real porque ele só dura poucos segundos. Pois os 15-30 segundos que podem durar um conflito parecerão uma eternidade devido à adrenalina, visão de túnel, e stress pelo risco.

 60) Golpes traumáticos podem ser usados não apenas em situações de combate, mas em qualquer situação na qual o inimigo vier na sua direção, mesmo para lhe dar um apresamento. Não é necessário esperar que o inimigo lhe agarre para fazer uma defesa. Apenas reaja batendo!

 61) As sequências devem ser feitas sem intervalo. Quando uma mão está retornando à guarda, a outra já está saindo, etc.

 62) Parece desnecessário lembrar, mas é importante manter a guarda alta em todas as situação de combate. Quando se chuta baixo, é comum deixar os braços descerem, para ajudar a manter o equilíbrio. Mas isso é muito perigoso. Nunca abaixe a guarda!

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